Ubertuem-se! - Diário Económico

9 de Maio de 2016

A economia da partilha tem indiscutivelmente o potencial de revolucionar o modo como a sociedade se organiza. Tudo é partilhável. A Uber é um passo nesta direção. Não é sequer o primeiro. Apenas o mais mediático.

Se dissessem a Karl Marx que no início do século XXI, no mundo ocidental, a propriedade privada estaria a dar lugar a uma economia de partilha, seguramente que este filósofo e revolucionário socialista rejubilaria. Mas calma. Não é bem isso. Não é a colectivização da propriedade no seu sentido socialista que nos está a bater à porta. É a economia de mercado, a tecnologia e a concorrência que estão a mudar a forma como vivemos e fazemos as nossas escolhas. Há uma disrupção. Crescentemente, preferimos ter acesso a um carro do que ser donos de um carro. Os negócios de produtos e serviços assentes na economia tradicional podem ser afetados? Sem dúvida. Como vamos lidar com isso? Há aqui vários temas.

Primeiro, a regulação. Há uma semana os taxistas de Lisboa entoavam por toda a cidade “Uber ilegal, vergonha nacional!” Será? Vergonha seria ilegalizar um serviço melhor, mais barato, eficiente e claramente preferido pelos consumidores, apenas porque assenta num modelo de negócio que a evolução tecnológica tornou possível mas que o legislador não previu. Não é um problema exclusivo do nosso país. Por todo o mundo, os serviços que assentam na partilha (não só a Uber) têm tido na regulação o seu maior obstáculo. A tendência será contudo para se encontrar uma solução. A economia de partilha tem óbvios benefícios para o consumo, ao aumentar a escolha do consumidor, para o ambiente, ao permitir a redução da circulação automóvel, e até para o empreendedorismo, já que facilita a obtenção de receitas pelos que estão dispostos a partilhar a viatura, a habitação ou a casa de férias.


Continuar a ler o artigo de opinião de Ricardo Bordalo Junqueiro no Diário Económico.


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