Valor das fusões e aquisições em Portugal cresce mais que nos vizinhos europeus; valor das transações e do investimento estrangeiro aumenta

27 de Novembro de 2020

  • O valor anual das operações de M&A em Portugal este ano é o mais elevado desde 2014 e representa uma subida de 26,1% em relação ao total transacionado ao longo de todo o ano de 2019, EUR 7.000 milhões
  • O valor do investimento estrangeiro subiu para EUR 6.900 milhões e abrange 90% de todo o valor das fusões e aquisições de 2020 em Portugal
  • A atividade de buyout a nível europeu está prestes a atingir os EUR 150.000 milhões pelo terceiro ano consecutivo
  • Relatório completo “Portugal Trend Report 2020” pode ser consultado aqui

Em linha com a tendência global em negócios de fusões e aquisições (M&A na sigla inglesa), Portugal enfrentou dificuldades este ano com a pandemia de coronavírus, com as empresas a suspenderem gastos de larga escala e as restrições às viagens a complicarem a logística das negociações. No entanto, num novo relatório intitulado “Volume falls but value rises on Portuguese M&A in 2020, publicado pela agência de informação financeira Mergermarket em parceria com a sociedade de advogados Cuatrecasas e a Marsh, líder mundial em corretagem de seguros e em gestão de riscos, Portugal revela melhores desempenhos em valor do que muitos dos outros países europeus, com uma mão-cheia de operações de grande envergadura a terem sido anunciadas em 2020. Por conseguinte, o valor deste ano representa o mais elevado no país desde 2014 e representa uma subida de 26,1% em relação ao total de EUR 7.000 milhões transacionados ao longo de todo o ano de 2019.

O maior negócio do ano em Portugal até à data foi a aquisição, avaliada em EUR 4.100 milhões, da Brisa – Auto-Estradas, que era detida pela José de Mello SGPS e pela Arcus Infrastructure Partners, por um consórcio composto pelo National Pension Service, o APG Group e o Swiss Life Asset Management.

O investimento estrangeiro em Portugal durante 2020 mostrou sinais contraditórios. Embora tenham ocorrido diversas operações de alto perfil, o número total baixou. Os investidores estrangeiros anunciaram 30 operações desde o início do ano até ao final de novembro, o que é abaixo das 53 anunciadas em 2019. Apesar disso, a soma dos valores transacionados atingiu o EUR 6.900 milhões– o valor mais elevado desde 2014 e que cobre cerca de 90% do valor total de M&A no país este ano.

A atividade de private equity em Portugal caiu significativamente em 2020, após um ano record em 2019. Até agora, tiveram lugar apenas oito buyouts no valor combinado de EUR 1.200 milhões. Grande parte deste valor advém da transação que permitiu ao Partners Group tomar o controlo da empresa de agroquímica Rovensa por EUR 1.000 milhões. Não obstante, uma ligeira descida durante o verão, os movimentos de buyout em toda a Europa tiveram um desempenho notável e a expetativa é que sejam atingidos os EUR 150.000 milhões pelo terceiro ano consecutivo. Com bastante poder de fogo ainda disponível pelos investidores, é de esperar que a atividade de buyout continue a crescer em 2021. 

Jonathan Klonowski, Research Editor EMEA, Mergermarket comenta: “Este ano, Portugal passou por um período de suspensão da atividade de M&A, devido ao espoletar da pandemia de coronavírus e às subsequentes restrições que puseram alguns investimentos em pausa. Com o aumento de casos de infeção em toda a Europa, é provável que as novas restrições voltem a limitar a atividade de M&A nas últimas semanas de 2020 e no arranque do próximo ano. No entanto, o mercado pode estar prudentemente otimista de que o M&A vai retomar os níveis pré-COVID na sequência do desenvolvimento de vacinas.”

Mariana Norton dos Reis, sócia de M&A e Private Equity, Cuatrecasas, comenta: “Iniciámos 2020 com um pipeline muito forte e as PE a nível nacional e internacional estavam com boas expetativas relativamente às oportunidades de buyout em Portugal. A pandemia COVID reduziu a atividade de M&A porque algumas operações foram adiadas ou canceladas por os vendedores considerarem que seriam prejudicados pela situação do mercado, os compradores terem de decidir sobre preço e condições em contexto de incerteza e de financiamentos mais caros, e ainda por alguns dos targets estarem a com desempenhos abaixo da sua própria média. As sociedades de PE tiveram de dar prioridade aos seus portefólios. Mas mesmo tendo o volume de M&A decrescido significativamente em Portugal, o valor total atingido foi bem alto, sobretudo devido aos chamados “macro deals” nos setores das infraestruturas, (venda da Brisa) e agroquímica (compra da Rovensa). É bastante excecional que existam no mercado português transações acima de EUR 1.000 milhões, ainda para mais num ano como este e mais do que uma!”

Rodrigo Simões de Almeida, CEO, Marsh Portugal, comenta: “Na nossa perspetiva, o investimento estrangeiro vai continuar a ser o catalisador mais relevante no mercado transacional em Portugal. Ao olharmos para a lista das maiores operações cujo valor foi tornado público, oito em dez foram levadas a cabo por investidores internacionais, a que corresponde cerca de 95% do volume dessas transações. Também de notar que o volume de dry powder detido por fundos de private equity (que se estima ser acima dos USD 1.500 milhões) e os planos de rotação de ativos desenvolvidos por investidores estratégicos (em particular nos sectores da energia) poderão ter um impacto positivo no número e volume de operações em Portugal no próximo ano.”

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