WiB Cuatrecasas: a próxima década exigirá ligar tecnologia, talento e estratégia para competir

2026-10-23T10:08:00
Espanha
O WiB Cuatrecasas faz o balanço das transformações empresariais da última década e antecipa as chaves e os desafios que marcarão a próxima
WiB Cuatrecasas: a próxima década exigirá ligar tecnologia, talento e estratégia para competir
23 de outubro de 2026

Há dez anos, a inteligência artificial não fazia parte das agendas dos conselhos de administração, a geopolítica pouco condicionava os planos estratégicos e a sustentabilidade limitava-se a um capítulo dos relatórios anuais. Hoje, as três condicionam qualquer decisão empresarial. Nesta década, a forma de competir, de obter financiamento, de atrair talento e de prestar contas mudou mais do que em décadas anteriores. Estas são algumas das conclusões do 10.º fórum Woman in Business (WiB) Cuatrecasas, que a Sociedade realizou no escritório de Madrid sob o lema “Uma década connecting the dots. A construir a próxima”. Para compreender como mudou a liderança e analisar o que está para vir, o fórum juntou perspetivas muito diferentes: o desporto, a pastelaria de autor, a alimentação à escala global, a tecnologia e o capital de risco.

No encontro, que reuniu mais de 200 executivas de diversos setores económicos, os oradores concordaram que a próxima década premiará as organizações capazes de ligar tecnologia, talento e estratégia de negócio. Se há dez anos se falava de adaptação à mudança, hoje fala-se de a antecipar. Rafael Fontana, presidente honorário da Cuatrecasas, abriu a sessão e deu as boas-vindas aos participantes: “Está demonstrado que as empresas que apostam na presença de mulheres nos seus quadros têm bons resultados. O acesso das mulheres a cargos de direção, a disparidade de género e os enviesamentos são temas que nos devem preocupar. O que aprendemos em fóruns como este permitir-nos-á tomar consciência do tema”.

Mariana Norton dos Reis, sócia da Cuatrecasas e cocoordenadora do WiB, apresentou esta décima edição e destacou o propósito do fórum: “Dez edições a refletir sobre a liderança e a antecipar os desafios do futuro, sempre com o mesmo propósito: ligar o talento feminino que impulsiona a mudança”.

Seguidamente, Helena Herrero, administradora independente da Naturgy e da Mutua Madrileña e ex-vice-presidente sénior da HP, proferiu uma conferência magistral, na qual abordou o lema do evento, “connecting the dots”, como se de um mapa para nos orientarmos se tratasse: “Na última década, a inovação teve um impacto transversal: a IA está a transformar a forma como se trabalha; a capacidade de computação é extraordinária; a tecnologia permite-nos ser mais eficientes, melhorar processos e criar valor. Mas essa tecnologia baseia-se em dados, não sente o esforço, nem sabe como pode afetar as equipas de trabalho. Nesse sentido, seria necessário avaliar os riscos que implica”.

Uma década de transformação empresarial

Os últimos anos alteraram tanto os fatores que intervêm nas decisões empresariais como a rapidez com que as empresas devem reagir perante eles. O aparecimento de novas tecnologias, a evolução dos hábitos de consumo, a sustentabilidade e um contexto internacional cada vez mais complexo fazem hoje parte de uma mesma conversa estratégica.

Este novo cenário serviu de ponto de partida para analisar como evoluíram as organizações e como responderam aos novos condicionalismos e oportunidades. A conversa decorreu num painel moderado por Diana Rivera, sócia da Cuatrecasas e cocoordenadora do evento, que reuniu vozes de destaque do ecossistema empresarial: Beatriz Álvarez, presidente da Liga Profissional de Futebol Feminino; Pablo Ventura, General Partner da Kfund; Paula Babiano, fundadora e CEO da Balbisiana; Laia Collazos, vice-presidente de IA da Coca-Cola Europacific Partners; e Jordi Morral, administrador executivo da Europastry.

Diana Rivera abriu o painel recordando que “em 2014 perguntávamo-nos como impulsionar a próxima geração de talento feminino. Nesta 10.ª edição, queremos olhar para trás para compreender como evoluíram a liderança e os setores, e olhar em frente para construirmos juntos o futuro que queremos”.

O presente: adaptar-se sem perder o rumo

Ao analisar o cenário atual, os oradores apontaram como principais desafios a integração da IA e da tecnologia nos processos de decisão, a evolução das expectativas dos consumidores, a formação e retenção de talento e a necessidade de manter o investimento num ambiente de incerteza. Neste contexto, Paula Babiano destacou a forma como o digital transformou o consumo num setor tão tradicional como a pastelaria, um nicho em que parecia que já estava tudo inventado: “Quando se pensava que vender bolos online era algo impossível, a chegada da covid fez disparar a digitalização e, com ela, a nossa loja online: as vendas multiplicaram-se. O impulso do digital e o poder das redes sociais mudaram as tendências do consumidor”.

Estes dez anos não trouxeram apenas mudanças, mas também oportunidades: novos modelos de colaboração entre setores, inovação, internacionalização e mercados emergentes. São vantagens competitivas que Jordi Morral soube transpor da panificação tradicional para a escala industrial: “Na Europastry, somos facilitadores do processo para que os produtos de panificação e pastelaria cheguem ao consumidor final em ótimas condições. Nessa linha, a inovação faz parte do nosso ADN, pois permite-nos ganhar em serviço e qualidade”.

Na mesma linha, Laia Collazos afirmou que, numa engarrafadora presente em 31 países, as decisões sobre o consumidor já não se baseiam na intuição, mas nos dados, e que algumas alavancas ganharam peso: “Num mundo em que a IA multiplica o conteúdo e acelera as respostas, a liderança está em fazer as perguntas certas e aplicar critério”.

As transformações da próxima década

Com os olhos postos em 2036, o debate articulou-se em torno de três eixos: a convivência entre pessoas e tecnologia nas organizações, a redefinição das cadeias de valor e uma liderança mais transversal, capaz de ligar disciplinas e setores. Pablo Ventura falou sobre as mudanças no ecossistema empreendedor e no setor de venture capital e sobre a sua ligação com o talento feminino, eixo tradicional deste fórum sob o lema “connecting the dots”. Nesse âmbito, salientou: “Já temos referências: a Rebeca na Clarity, a Carla na Theker, a María na Tucuvi e muitas mais. São fundadoras com uma ambição enorme. Nada impede que mais mulheres deem o passo. Só falta acreditarem”.

Nesta confluência de visões, concluiu-se que os desafios da próxima década não serão resolvidos a partir de um único setor nem de uma só disciplina. Na verdade, as respostas surgem ao ligar experiências diferentes. Beatriz Álvarez afirmou que, no desporto em geral e no futebol em particular, o negócio ganhou tanto peso como a competição desportiva: “Demos passos decisivos na profissionalização, ganhando visibilidade, impulsionando novas oportunidades de crescimento e avançando nas condições das futebolistas. O desafio agora é consolidá-lo”.

Dez edições a ligar liderança

O WiB chega à sua décima edição como um fórum de referência para mulheres em cargos de decisão de diferentes setores. Ao longo das suas várias edições, a iniciativa tem promovido a troca de perspetivas sobre as mudanças que transformam as empresas, com o objetivo de analisar o presente e antecipar os desafios futuros. O encerramento do evento esteve a cargo de Javier Martí-Fluxá, sócio responsável pelo escritório de Madrid da Cuatrecasas. Depois de agradecer aos participantes e às sócias organizadoras, sublinhou que, ao fim de dez edições, este encontro se tornou uma clara marca de identidade da Sociedade.

Esta edição do WiB permitiu ligar experiências de diferentes setores para olhar para trás, compreender como evoluiu a conversa empresarial e antecipar as mudanças que irão condicionar o futuro. Esse sempre foi o propósito do WiB: unir pontos para construirmos juntos o que está para vir.

23 de outubro de 2026