O primeiro relatório do IE Family Offices Knowledge Hub está baseado num inquérito a 157 family offices, incluindo 27 entrevistas em profundidade
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SubscreverAlinhado com o propósito de contribuir para o desenvolvimento dos family offices mediante a investigação, o conhecimento aplicado e o intercâmbio de experiências entre famílias empresárias, profissionais e especialistas, o IE Family Offices Knowledge Hub, uma iniciativa conjunta da IE University, da Cuatrecasas, da Franklin Templeton e da OpenWealth, apresentou “A evolução do family office nos mercados privados: de famílias empresárias a investidores estratégicos”. Este é um primeiro relatório sobre o tema, baseado num inquérito internacional a 157 single family offices da Europa, da América do Norte, da América Latina, da Ásia e do Médio Oriente, bem como em 27 entrevistas em profundidade e numa análise de dados históricos de investimento.
O relatório foi apresentado na IE Tower, o campus da IE University em Madrid, perante representantes de family offices e profissionais do sector de diversos países. O encontro contou com a participação de Carlo Bonomi, Managing Director da Investindustrial, que partilhou a sua experiência e a sua visão sobre a evolução dos family offices como investidores em mercados privados.
Segundo o estudo, os family offices destinam, em média, 48,2% das carteiras a mercados privados. Mais da metade prevê aumentar esta alocação durante os próximos cinco anos e nenhum espera reduzi-la. Em Espanha, a tendência é ainda mais pronunciada: 68,1% dos participantes no inquérito preveem aumentar a alocação a estes ativos, que se consolidam como parte central da estratégia de investimento.
Adicionalmente, o relatório constata uma estreita relação entre a exposição a mercados privados e o desenvolvimento de capacidades internas. A alocação média a estes ativos aumenta de 44,9% nos family offices com um ou dois profissionais especializados, para 62,9% nos que possuem equipas de seis ou mais pessoas.
Por classes de ativo, o private equity (16,1%) e o sector imobiliário (15,1%) concentram o maior peso. Adicionalmente, mais de 60% dos participantes no inquérito declararam estar satisfeitos ou muito satisfeitos com os retornos obtidos. A amostra reflete também uma clara orientação internacional: nenhum family office investe exclusivamente no mercado doméstico.
Cristina Cruz, diretora académica do IE Family Offices Knowledge Hub, declarou: “Os family offices já incorporaram os mercados privados nas suas carteiras. O verdadeiro desafio atual não é aceder a mais oportunidades, mas construir a governança, os processos e as capacidades que lhes permitam passar de famílias empresárias a investidores estratégicos. O nosso estudo demonstra que esta evolução não se produz de repente, mas através de um processo de aprendizagem em que as famílias desenvolvem progressivamente as capacidades necessárias para investir com disciplina e de forma sustentável".
Ao contrário dos estudos centrados exclusivamente na alocação de ativos, o relatório examina como é que os family offices tomam as suas decisões de investimento e como é que as suas capacidades evoluem à medida que vão adquirindo experiência. Os resultados indicam que a profissionalização não implica necessariamente uma perda de controlo familiar: em 52% dos casos, a decisão final permanece nas mãos da família; e só 10% delegam plenamente esta responsabilidade. Em Espanha, a decisão final de investimento recai diretamente nos membros da família em 61% dos family offices participantes no inquérito.
Mais além dos dados de carteira, o relatório identifica quatro etapas de aprendizagem na evolução das famílias empresárias para investidores estratégicos em mercados privados. A partir desta análise, o IE Family Offices Knowledge Hub propõe quatro sistemas práticos (uma política de investimento, um modelo de governança, um sistema de gestão do ciclo do capital e uma arquitetura patrimonial) para ajudar as famílias a construir estruturas de investimento sustentáveis a longo prazo.
“Os family offices estão a evoluir para modelos de gestão patrimonial cada vez mais sofisticados. Esta transformação exige integrar o investimento em mercados privados numa visão global do património, apoiada numa governança sólida e numa planificação a longo prazo. Na OpenWealth contribuímos para que as famílias empresárias enfrentem este processo com uma proposta de consultoria patrimonial que combina experiência, especialização e uma visão integral do património familiar”, afirmou Marta Alonso, diretora-geral da OpenWealth (Grupo CaixaBank).
“Os family offices são uma categoria única de investidor, com objetivos, horizontes de tempo e processos de tomada de decisões próprios. Estudos como este permitem-nos aprofundar o nosso conhecimento dessa realidade, identificar como é que as suas prioridades estão a evoluir, e compreender melhor os desafios e oportunidades que enfrentam. Num ecossistema de mercados privados cada vez mais complexo, as gestoras desempenham um papel crucial não só proporcionando acesso e infraestruturas, mas também ajudando as famílias a desenvolver as suas capacidades de investimento e a dirigir os seus programas para estratégias mais sofisticadas e diversificadas”, acrescentou Javier Villegas, Head of Iberia and Latam da Franklin Templeton.
Pela sua parte, Carlos Ferrer, sócio da Cuatrecasas, frisou: “O desafio dos family offices já não consiste exclusivamente em identificar oportunidades de investimento, mas em dotar-se das estruturas legais e de governo necessárias para gerir o património com visão de continuidade geracional”.
O caso dos family offices espanhóis
A análise específica de Espanha revela um ecossistema de family offices jovem, mas com uma aposta consolidada nos mercados privados. 41,2% foram constituídos depois de 2015, e 53% correspondem a famílias de primeira geração. Apesar da sua trajetória mais reduzida, 71,7% investem em mercados privados, a que destinam, em média, 47,2% da sua carteira. Os ativos imobiliários ocupam o primeiro lugar, com 16,2%, seguidos do private equity (13,2%) e do venture capital (10,5%), cujo peso é significativamente superior ao observado no resto da amostra.
As perspetivas são claramente expansivas: 68,1% preveem aumentar a exposição durante os próximos cinco anos, em comparação com 53,4% da amostra internacional. A satisfação com os resultados obtidos também é especialmente elevada: quase um de cada quatro (23,5%) declara-se muito satisfeito, em comparação com 7,1% no resto da amostra.
A profissionalização também não implica necessariamente uma menor participação da família nas decisões de investimento. Em Espanha, a decisão final recai diretamente nos seus membros em 6% dos family offices participantes no inquérito.
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